terça-feira, 23 de abril de 2019

#tbt



            Hoje enquanto escolhia uma foto para postar com a hashtag tbt nas redes sociais, senti um incômodo não pelas lembranças que as fotos trouxeram, tampouco pela nostalgia daqueles registros de momentos únicos, sequer pela saudade dos que já não estão mais comigo. Pausa para um pequeno parênteses que daqui a uns anos será completamente ultrapassado: #tbt significa Throwback Thursday,  quinta-feira do retorno, em livre tradução, usada para marcar fotos saudosas.
           É o dia em que mais vemos fotos de um passado, antigo ou mesmo recente, dos amigos que seguimos nessas redes. Até aí acho uma brincadeira válida!
A razão do meu incômodo vem de um questionamento interno feito pela minha intensidade - essa que tenho aprendido a assumir e abraçar - "quem definiu que quinta-feira é o dia da saudade?"
         Minha alma intensa não cabe nessas convenções sociais de que domingo é o dia do desânimo nostálgico, segunda é o dia do mau humor, quinta o da saudade, sexta o dia de fazer loucuras. Esparramo-me de pijama no sofá numa sexta a noite para ler um livro, assim como embriago-me com meu drink preferido na terça, se essa for a minha vontade.
         E quanto à saudade, sinto-na enquanto preparo meu almoço numa quarta-feira; enquanto dirijo pela BR sob o céu ensolarado de domingo; numa reunião chata na tarde de segunda-feira e até mesmo na musculação de sábado. Por aqui, a saudade sempre aparece sem agendar dia.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Sorte


                     Numa noite em que meus planos A, B e C se frustraram sucessivamente, você apareceu, completamente diferente do que costumava atrair minha atenção. Acaso, coincidência, sorte... ainda não sei do que chamar.
                  Permiti-me ir além do que a razão me aconselhava. Abri-me para que você me conhecesse e, de certa forma, eu mesma conhecesse o meu novo eu, aquele que agora está sob nova direção, digo, ainda sob construção.
                  Acredito que cada pessoa traz dentro de si um universo ilimitado e isso me faz querer conhecê-las, ouvir suas histórias, celebrar suas conquistas e por que não chorar com elas suas dores?! Por mais que eu desejasse mergulhar nesse universo que é você, minha insegurança me mantinha no raso, onde meus pés pudessem tocar o chão firme e seguro.
                   Pude experimentar minha nova versão, a mulher com opinião e voz própria, que luta para desconstruir em si mesma e ao seu redor o machismo, o racismo, a homofobia, o preconceito; a que está criando com as próprias mãos, lágrimas, gargalhadas, escolhas e renúncias a vida que quer viver. E pude também perceber que tal versão precisa de alguns updates, que bom! Obrigada!
                   Cometi contra você algo que combato em meu discurso. Sim, te prejulguei. Olhei para você com minhas próprias lentes, míopes e embaçadas. Supus ver em você o que na verdade talvez só houvesse dentro de mim. Peço-te perdão por isso!
                   Com o que há de melhor em mim eu te dizia sim, enquanto com a boca eu dizia que não ao Universo. “Não estou preparada!”, “Não quero agora”, “É cedo”, “Não vou”. Inconscientemente, trouxe para o presente alguns pacotes pré-embrulhados que nele não cabiam: um pouco de lixo emocional, algumas crenças limitantes, uma pitada de incoerências. E, como era de se esperar, minhas profecias auto-realizáveis se cumpriram.
                   Em tão pouco tempo, a mulher que ora escreve já não é a mesma que, noites atrás, se apresentou a você. E isso eu posso chamar de sorte! Sua, minha e de quem quer que cruze o meu caminho por acaso ou coincidência.

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Convite


                        Há alguns dias, caneta e papel me chamam pelo nome. Assuntos enlaçam meus pensamentos. Palavras unem-se formando parágrafos em minha mente. Sigo fugindo. “Mais tarde!”, “Amanhã sento e escrevo.”, “Outra hora!”
                   Fujo na vã tentativa de calar o que grita aqui dentro. Então, penso, sem parar, sobre superficialidades, amenidades, personalidades, tudo para não ouvir o convite daqueles, que me conhecem tão bem e sabem que é através deles que exorcizo demônios, retiro mordaças, pinto arco-íris, reescrevo finais, crio recomeços, ressignifico dores.
                   Escrever é desnudar-me, é silenciar o que acontece do lado de fora e olhar para dentro de mim com meus próprios óculos. Por meio da caneta e papel, coloco luz sobre minhas sombras e deparo-me com a minha humanidade. Publicar o que escrevo me aproxima de quem me lê, me tira do lugar onde me colocaram, no qual nunca quis estar.
                   Eis algo que sempre me gerou incômodo: ser apontada como modelo, quer fosse de coragem, de organização, de obediência, de caligrafia, de educação, entre tantos outros. Ser esse tipo de modelo é um fardo bem pesado cujos produtos são julgamento, autocrítica, engessamento, comparação. Exatamente o que preciso deixar de lado para escrever livremente, para dar autenticidade às palavras que saem de minha mente por si mesmas, tomando a forma necessária para o momento.
                   É preciso coragem para dar forma e grafia ao que se borbulha por aqui. É preciso, antes, amor e gentileza para não me autocensurar, para não revisar tanto os escritos ao ponto de não mais existir neles. Quando comida alguma aplaca a fome, diversão alguma me preenche, taças já vazias não mais entorpecem, é hora de render-me ao convite da caneta e do papel.    

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Carta a um objeto


Asa Norte/DF, 05 de março de 2017.

                      Meu querido,
                   Olhando agora para você aí empoeirado e largado na prateleira desta estante, imagino o quanto deve sentir-se abandonado, esquecido e até mesmo inútil. Logo você, que viu o DVD player chegar e ir embora, assim como, posteriormente, aquele pomposo aparelho de blueray que também não se demorou por aqui.
                   Não posso negar que me abri às novidades tecnológicas que surgiram diante de mim e com isso você acabou, pouco a pouco, perdendo o seu lugar em minha vida. Quero te pedir perdão por isso e, principalmente, por ter, de certa forma, te prendido a mim mesmo quando já não te queria mais. Sinto muito, de verdade!
                   O fato é que me acomodei com sua presença e, de alguma forma, te ver bem aí todos os dias foi te tornando invisível aos meus olhos. Estranho, não? Mas o que importa é que agora, finalmente, estou pronto para te deixar livre para seguir adiante. Acredito que você ainda possa ser feliz fazendo o que ama...
                   Quem sabe levar alegria ao projetar bons filmes em um abrigo de idosos, já pensou?! Dessa forma, também posso me liberar da culpa por ter te prendido a mim tanto tempo... por apego. Videocassete, sou grato por todos os bons momentos que me proporcionou ao longo de toda a nossa história juntos. Seja feliz!
                       Com amor, Vinicius.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Pedido indeferido!



                            Hoje à meia noite, apaguei a luz do abajur, estiquei-me sobre a cama, com as palmas das mãos viradas para baixo, como se fosse meditar, então fechei os olhos, inspirei bem fundo e fiz um pedido: que este ano não tivesse existido no calendário! Sim, que estes dez meses e vinte e dois dias não tivessem passado de um sonho ruim ou mesmo uma piada de mau gosto.
                   Cerrei os olhos e fui um pouco mais além, imaginando que quando os abrisse, eu estaria no mesmo lugar onde os fechei há exatamente um ano. Então, com eles ainda fechados, sem mover os braços, lentamente passei as palmas das mãos sobre o lençol. Não ouvindo nada além da minha própria respiração, virei-me para o lado direito e,calmamente, abri meus olhos: Pedido indeferido!   

sábado, 20 de outubro de 2018

Menina Mulher

     Eu e minha pretensiosa mania de colocar em palavras o indizível! Então, vamos lá...
   Quando vi o vídeo em que você, com seu corpo sobre a neve, fazia aquele anjinho clichê, instantaneamente uma lágrima brotou em meu olho e escorreu rápido pelo rosto. 
  Ao contrário do frio em que você se encontrava, aquela lágrima aqueceu minha alma, enquanto eu tentava, em vão, buscar uma explicação para ela.
  Ao longo do vídeo, a cada batida do meu coração, eu o sentia em expansão, e, estranhamente, cadenciando com as batidas, palavras surgiam em meus lábios, uma a uma: Autenticidade, Coragem, Intensidade, Verdade, Sensibilidade. Persistência, Força, Inteligência. Empatia.
 Alma, olhos, coração e lábios, todos concatenados dizendo "Que orgulho tenho de você, minha menina-mulher!"