Sonho de futuro
Vivemos hoje em uma cultura de futuro. Estudamos para um dia ter um bom trabalho. Trabalhamos para desfrutar de uma boa aposentadoria. Juntamos dinheiro para lá na frente trocar de carro. Namoramos para casar. Casamos para daqui a um tempo termos filhos. Sonhamos para realizar em breve. Assistimos a uma série pensando na próxima temporada.
Somos movidos pelas expectativas de um futuro incerto, enquanto o presente escoa entre nossos dedos. Como qualquer bem tão almejado, ele se tornou um negócio lucrativo: academias vendem um futuro corpo sarado, igrejas vendem uma futura vida eterna nos céus - ou no inferno -, renomadas universidades vendem um emprego fabuloso após a formatura.
É claro que não se pode culpar a cultura como uma entidade soberana que dela nos faz reféns. Não o somos, assim como não somos produtos culturais, antes somos co-construtores dela. Temos nossa parcela de responsabilidade: somos nós que mantemos viva a cultura de futuro. Portanto, cabe a nós freiá-la para, enfim, vivermos o presente, antes que se torne apenas lembranças de um saudoso passado.
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